quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

3ºTemplo ABOMINAÇÃO A DEUS/ DENUNCIAMOS O USO DE OFERTAS DESVIADAS DE MISSÕES PARA ENVIO À ISRAEL

Neste artigo, comprovamos que ofertas que estão sendo levantadas em diversas denominações, de formas diferentes, podem estar sendo utilizadas nesta abominação que é a construção do Terceiro Templo. Muitos são os pastores envolvidos neste projeto, sem ao menos levar em conta as Escrituras. Movimentos como o MIR (M12), IURD(Fogueira Santa de Israel), são exemplos de como tem sido levadas muitas ofertas á Israel com este propósito, iludindo fiéis a fazerem sacrifícios absurdos, para "abençoar"tal nação, muitos são os que creêm ser necessário tal empreendimento, pois a busca de prosperidade é o carro chefe destas campanhas,onde ditos "homens de deus" viajam em TOUR levando milhares de dólares aquele país, gastando as ofertas de gente trabalhadora e honesta , que amam a obra do Senhor, mas são levadas ao erro, enquanto isso, milhares de missionários tem padecido nos Campos sem o mínimo de recursos. Eles se utilizam da passagem de Salmo que diz:" Orai pela paz de Jerusalém", mas vejam orai e não ofertai. Lembremo-nos que Israel é extremamente rico, e não precisaria de tais recursos, porém no aspecto espiritual, o inimigo tem levado o povo de Deus à idolatria, pois Jesus não mandou ninguém sacrificar, e sim levar sua cruz. Toda liturgia que as igrejas tem implantado, levando o povo à familiarizar-se com o culto judaico, é um preparo para quando o anticristo ascender, muitos não perceberão, e a apostasia tomará conta daqueles que não vigiam.

(emazzine).

O TERCEIRO TEMPLO
Quando e onde será construído o novo templo em Jerusalém?
O primeiro templo de Israel foi construído pelo seu rei Salomão no cume do monte Moriá (2 Crônicas 3:1), tradicionalmente conhecido como o monte onde Abraão havia oferecido e quase sacrificado seu filho Isaque como oferta ao Senhor (Gênesis 22:2). Foi solenemente inaugurado por Salomão em aproximadamente 950 AC (1 Reis 7 e 8), mas destruído completamente até os alicerces em 586 AC por Nebuzaradã, chefe da guarda e servidor do rei Nabucodonozor da Babilônia (2 Reis 25:8-17, 2 Crônicas 36:15-19).
O segundo templo foi construído por Zerubabel, descendente de Davi e neto piedoso do ímpio rei Jeconias (ou Joaquim) de Judá. As obras foram iniciadas em 525 AC por ordem de Ciro, rei da Pérsia (Esdras 1:2-4), sobre o local onde fora construído o templo de Salomão (Esdras 2:68), ficando o edifício pronto em 516 AC, quando foi consagrado ao Senhor (Esdras 6:15). No decorrer do tempo ele foi dilapidado pela ação dos inimigos e parcialmente arruinado por falta de manutenção.
Quase exatamente cinco séculos depois, o rei fantoche Herodes, um edumeu nomeado pelos romanos, ofereceu-se para restaurar o templo a fim de agradar o povo. Sendo aceita a sua oferta, ele iniciou as obras de restauração em 18 AC desenvolvendo um projeto altamente pretensioso e dispendioso, em uma escala muito maior do que o templo original. O edifício principal foi terminado em dez anos, mas Herodes e seus sucessores ampliaram muito a área circundante com aterros, muros de pedra e edificações, e a restauração só foi considerada como concluída 83 anos mais tarde, no ano 65 DC. Este foi o templo existente quando o Senhor Jesus esteve na terra, muito admirado pelos discípulos (Marcos 13:1, Lucas 21:5).
Passados apenas cinco anos depois de terminado, o templo e as outras construções no monte foram totalmente destruídos pelos romanos, junto com a cidade de Jerusalém. Os muros foram em grande parte danificados no tempo das cruzadas. Restou uma parte conhecida como o “muro das lamentações”, onde os judeus costumam fazer as suas preces já há muito tempo, sendo hoje também uma atração turística.
Os judeus se espalharam pelo mundo afora, tendo perdido não só a sua capital, mas todo o seu território. Algumas famílias e pequenos grupos começaram a voltar em fins do século 19, formando pequenas colônias agrícolas, os “kibutzes”. Em 1948 Israel foi reconhecido como país pelas Nações Unidas, ocupando uma fração do que era o reino de Israel no tempo do rei Davi. Após muita hostilidade por parte das nações vizinhas, tendo elas sido vencidas numa guerra de seis dias por Israel, o país tem tido alguma estabilidade até agora.
Alguns judeus têm se convertido a Cristo, e se reúnem livremente como igrejas pelo país, mas a maioria do povo está longe de Deus, sendo ateus ou praticando o judaísmo em sinagogas de diferentes seitas. No entanto está havendo um crescente movimento iniciado por alguns rabinos, para reunir todos dentro da observância da lei de Moisés, adaptada às circunstâncias modernas.
Um sinédrio foi formado em outubro de 2006 em Tiberias, onde o antigo sinédrio se reuniu pela última vez 1.600 anos atrás. Ele se reúne uma vez por mês em Jerusalém, e formou uma comissão de sete rabinos, sendo um deles, Meir Kahane, o rabino do grupo Novo Israel da Cidade Velha de Jerusalém. Kahane dirige um estudo detalhado dos rituais e cerimônias do templo, e um catálogo de todos os sacerdotes em Israel (é notável que, de todas as tribos de Israel, a de Levi, que é a dos sacerdotes, é a única que se mantém perfeitamente identificável pelos sobrenomes Levi, Levy, Levine, Leventhal, Levinson, Cohen e outros semelhantes).
Foi noticiado que, em uma das suas últimas reuniões, este sinédrio decidiu levantar ofertas para um fundo de construção do terceiro templo. “Temos um desejo profundo de adorar a Deus no Santo Templo outra vez” disse o rabino Yoseph Elboim, co-iniciador de uma recente reunião de cúpula extraordinária em Jerusalém visando o templo. “Oramos três vezes ao dia para que Deus nos deixe adorar no santo Monte do Templo novamente, como nos tempos bíblicos. Queremos acender o candelabro no templo duas vezes ao dia e queimar incenso a Deus. Estes são mandamentos divinos, e precisamos nos preparar para cumpri-los.” Houve um jantar festivo em Jerusalém com cerca de mil pessoas, entre elas rabinos, professores e cristãos, todos residentes em Israel e tendo como objetivo a construção do terceiro templo.
Com duas mesquitas situadas sobre o Monte do Templo, considerado o terceiro lugar mais sagrado dos islâmicos, a reconstrução do templo parece estar longe da realidade política de hoje. Mas Elboim disse: “Quando vejo Deus reunindo Seu povo novamente depois de dois mil anos na diáspora e guiando-os para casa, a reconstrução do terceiro templo me parece muito mais próxima”. Não se sabe o exato lugar onde foram construídos os dois primeiros templos no Monte do Templo, havendo opiniões divergentes a respeito. Seria necessário fazer escavações para verificar com certeza, e elas são atualmente proibidas.
Embora as Escrituras Sagradas se mantenham silenciosas sobre os detalhes do terceiro templo, sabemos que estará em uso, com o sacrifício e a oferta de manjares, antes do meio do período de sete anos da tribulação, pois nessa ocasião o governante que virá, que conhecemos como o Anticristo, fará cessar o sacrifício e a oferta (Daniel 9:27). Outras passagens bíblicas, também concernentes ao meio do período da tribulação, indicam que o terceiro templo estará em funcionamento nessa oportunidade: Mateus 24:15, 2 Tessalonicenses 2:3-4, Apocalipse 11:1-2.
A sua construção terá lugar, portanto, algum tempo antes do meio da tribulação, e provavelmente já terá sido planejada em todos os seus detalhes antes do início da tribulação. Notemos que esse terceiro templo não é o templo do milênio que se seguirá ao fim da tribulação: o templo do milênio será construído por Cristo, e será a sede do governo mundial (Isaías 2:2-4, Ezequiel 43:7, 48:35, Daniel 2:44-45, 7:13-27, Zacarias 6:12-13,14:8-9, Apocalipse 11:15). Todo o território em que Jerusalém se encontra atualmente será elevado para formar uma grande montanha, que virá a ser a mais alta no mundo.
O terceiro templo agora desejado pelos judeus não será aceito por Deus como sendo Seu: “Assim diz o SENHOR: O céu é o meu trono, e a terra, o escabelo dos meus pés. Que casa me edificaríeis vós? E que lugar seria o do meu descanso? Porque a minha mão fez todas estas coisas, e todas estas coisas foram feitas, diz o SENHOR; mas eis para quem olharei: para o pobre e abatido de espírito e que treme diante da minha palavra.” (Isaías 66:1,2).
O Senhor está através deste texto rejeitando a construção de um novo templo por mãos de homens. Não se trata dos dois primeiros templos, pois ambos foram aprovados por Ele. Não se trata do templo do milênio, pois esse será construído pelo seu próprio Filho. Só pode ser o terceiro templo.
No dia em que o Senhor Jesus foi crucificado, o véu do segundo templo foi rasgado de alto a baixo, figura clara de que o único Cordeiro verdadeiro que tira o pecado do mundo havia sido sacrificado, eliminando a validade dos sacrifícios e ofertas feitos no templo em antecipação à Sua vinda. A destruição do segundo templo pelos romanos, profetizada pelo Senhor Jesus, acabou com todos os seus vestígios (Marcos 13:2).
O templo sendo construído por Deus na atualidade é a igreja de Cristo (1 Coríntios 3:16), onde a adoração se faz em espírito e em verdade ( João 4:21-24) pelo pobre e abatido de espírito e que treme diante da Palavra de Deus, conforme essa profecia de Isaías.
É encorajador saber que é previsto para breve a construção do terceiro templo: é outro sinal que a vinda do Senhor para arrebatar a Sua igreja já está bem próxima!

R David Jonesursos necessários.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

MALDIÇÃO HEREDITÁRIA X OBRA DA CRUZ

Maldição HereditáriaBispo José Ildo Swartele de Mello
Por Bispo José Ildo Swartele de Mello

"Que tendes vós, vós que dizeis esta parábola acerca da terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nunca mais direis este provérbio em Israel”. (Ez. 18:2 a 3).
INTRODUÇÃO
Alguns acreditam e ensinam que até os cristãos podem estar sujeitos à maldição de seus ancestrais. Existem livros e seminários que se prestam ao ensino de como quebrar as cadeias da maldição hereditária. Eles se baseiam principalmente em Êxodo 20:5 e Deuteronômio 5:9. Aliás, por causa de uma má interpretação destes textos, surgiu um ditado que se tornou muito popular em Israel "Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”.Vemos esta idéia em Lamentações 5:7: 'Nossos pais pecaram, e já não existem; nós é que levamos o castigo das suas iniqüidades.” Bem, Jeremias já havia previsto um dia em que este provérbio não mais seria proferido: “Naqueles dias já não dirão: Os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que se embotaram”. (Jr. 31:29). Mas Ezequiel afirma que este dia já chegou: "Que tendes vós, vós que, acerca de Israel, proferis este provérbio, dizendo: os pais comeram uvas verdes, a os dentes dos filhos é que embotaram? Tão certo como Eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel” (Ez. 18:2 e 3). Para uma compreensão melhor desta passagem é aconselhável a leitura e o estudo de todo capítulo 18 de Ezequiel. Ambos os profetas eram contra esta perniciosa doutrina, que descambava em irresponsabilidade a fatalismo, pois é muito conveniente para alguns desviar a culpa de si mesmos e transferi-la para gerações anteriores, ou então, culpar o destino a as forças ocultas por nossos fracassos, pecados, vícios e misérias; chegando a acusar a Deus de injustiça, como em Ez. 18:25: “No entanto dizeis: o caminho do Senhor não é direito...”“.Em outras palavras, Ezequiel nos ensina que, em vez de voltarmos nossos olhos para trás em busca de resposta para os infortúnios do presente, em vez de culparmos nossos antepassados, ou os demônios, ou o destino, deveríamos olhar para nós mesmos a pedir a Deus que venha sondar os nossos corações, vendo se há em nós caminho mal, a fim de nos guiar pelos Seus caminhos. (Sl. 139). O pecado, sim, é que traz maldição: "... pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará”.(Gl 6:7). "A maldição sem causa não se cumpre” (Pv. 26:2); "Amou a maldição: ela o apanhe; não quis a benção: aparte se dele”.(Sl. 109:17); "Eis que hoje eu ponho diante de vós a bênção e a maldição” (Deut. 11:26), repare que bênção e maldição estão diante e não atrás das pessoas; tudo dependendo da nossa atitude para com Deus.

INFLUÊNCIA PAGÃ

Diversas religiões, como feitiçaria e macumba, sempre atribuíram poderes extraordinários aos pronunciamentos de benção e maldição, pois crêem que uma vez proferida uma maldição, ela passa a ter vida própria, não sossegando até o cumprimento de seu desígnio. E, para se ver livre de tal encanto, um homem precisaria recorrer a um feitiço ainda maior. Perceba que, assim, tudo fica no campo da magia. Tal idéia é dualista, gnóstica e antropocêntrica e implica numa negação da soberania de Deus, por colocar o destino das pessoas nas mãos ou palavras de outros seres humanos.A infiltração do misticismo e da superstição nas igrejas evangélicas do Brasil é algo assustador. Muitos evangélicos substituíram as "três batidinhas na madeira" por uma nova forma de esconjuro, usando em todo o tempo a expressão "TÁ AMARRADO!", procurando, assim, quebrar o poder de uma palavra negativa, exorcizando um mal. E, por causa de tal influência pagã, muitos crentes sinceros estão ficando obcecados por "Batalha Espiritual", chegando a desenvolver uma grande sensibilidade e uma percepção muito forte da presença do maligno. Por mais que tentem, não conseguem disfarçar seu nervosismo e inquietude que são frutos de desconfiança e temor. Ficam arrepiados e atribuem isto a um pretenso discernimento espiritual.Biblicamente falando, o pecado é que traz maldição, pois o pecado separa o homem de Deus. Deus é a única fonte de bênçãos. Bênção é o oposto de maldição. Maldição seria, então, estar distante de Deus.
CONTRA JACÓ NÃO VALEM ENCANTAMENTOS
A Bíblia ensina exaustivamente que os servos do Senhor não estão sujeitos à maldição, a não ser que se desviem do caminho do Senhor. Balaão não pôde amaldiçoar o povo de Israel. Deus não o permitiu! Disse Balaão a Balaque: "Como posso amaldiçoar a quem o Senhor não amaldiçoou?" (Nm 23:8) e "Ele abençoou, não o posso revogar... O Senhor seu Deus está com ele... pois contra Jacó não vale encantamento”.(Nm 23:20, 21 a 23). Sabendo, pois, Balaão, que não se amaldiçoa o povo de Deus com feitiços ou rogando pragas, ensinou Balaão a Balaque como se poderia atingir o povo de Israel, ou seja, seduzindo o povo ao pecado, afastando os de Deus, que é a única fonte de bênção, levando o povo ao juízo e condenação: (Apocalipse 2:14; Nm 25:1 18 a Nm 31:8 a 16).As palavras não possuem tanto poder como querem alguns, conforme concluímos das seguintes passagens: Tg. 2:15 16 e I Jo 3:18.Salmo 109:17 "Amaldiçoem eles, mas Tu, abençoa; sejam confundidos os que contra mim se levantam; alegre se, porém, o teu servo”. E em Neemias 13:2 lemos: "Deus converte a maldição em bênção"; e, além disso, o ímpio não sai impune do seu intento de nos prejudicar: "amaldiçoarei os que to amaldiçoarem" (Gn 12:3). Ver também: Cl 2:14 15 a Pv. 3:26, 33.O Salmo 91 nos deixa a seguinte promessa: "O Senhor te livrará do laço do passarinheiro e da peste perniciosa. Sob suas asas estarás seguro... praga nenhuma chegará a tua tenda...” E o Salmo 31:4 diz: "Tirar me ás do laço que, às ocultas, me armaram, pois Tu és a minha fortaleza" (Ver também: Sl 118:13; Sl 84; Sl 146:5, 7; Sl 147:13; Sl 139:1 16; Sl 133:3; Sl 121:3 8; Sl 46:1, 5, 7; Sl 33:18 22; Sl 32:7; Sl 28; 7 9; Sl 29:11; Sl 27:1 6; Sl 23:6; Sl 21:11; Sl 18:1 3, 27 50; Sl 16:5 8, 11).

CRISTO NOS RESGATOU DA MALDIÇÃO
“Cristo se fez maldição em nosso lugar”. Foi crucificado como se fosse um maldito para nos resgatar da maldição da lei, para que a benção chegasse até nós. (Gl. 3:13, 14). "Os da fé” não estão debaixo de nenhuma maldição, mas "são abençoados com o crente Abraão". (Gl. 3:9)."Quem está em Cristo, nova criatura é, as coisas velhas já passaram, tudo novo se tornou”.(2 Cor. 5:17). Não precisamos nos preocupar em desenhar nossa árvore genealógica, regredindo até a terceira a quarta geração quebrando as cadeias. Em primeiro lugar, porque pactos e alianças feitos pelos ancestrais não se transmitem automaticamente aos filhos. Favor não confundir conseqüências dos pecados dos pais com maldição. Pois é óbvio que os pais exercem forte influência sobre os filhos, ou para o bem ou para o mal. Mas isto não é o mesmo que dizer que eles estejam debaixo de uma maldição, de um feitiço, ou sob algum encantamento, que necessariamente precisa ser quebrado para livrá los de tal destino. Não devemos nos esquivar de nossas responsabilidades pessoais. E também, quando nos convertemos, o sangue precioso de Jesus nos purificou de todo o pecado (1Jo 1:7).Não é necessário regredir pare nascer de novo, (Jo. 3). Um crente que volta atrás para quebrar cadeias de maldições hereditárias está pondo em dúvida a sua fé e a sua salvação. Está diminuindo o que Cristo fez por ele. Não está crendo que é nova criatura e que as coisas velhas já passaram. Não está descansando no poder de Deus a nem confiando no poder purificador e libertador do sangue de Jesus. (Cl. 2:14-15; Ap 1:5; Rm. 5:9; Ef. 1:7, Hb 9:12, 14; 1Pe 1:18-19).Em vez de retrocedermos devemos fazer como o apóstolo Paulo: “... mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. (Fp 3:13b)”. O Senhor ainda diz ao seu povo: “Não vos lembreis das coisas passadas e nem considereis as antigas” (Is 43.18). Deus tem um caminho no meio da tormenta (Naum 1.3). Não duvide do amor de Deus. "Deus não nos deixou à deriva no mar da hereditariedade" (Max Lucado) e não estamos largados à própria sorte e nem somos joguetes nas mãos dos homens ou de espíritos malignos. Procure focalizar os aspectos positivos, “quero trazer a memória o que me pode dar esperança...” (Lm 3.21) e busque discernir a boa mão de Deus em sua vida, histórico familiar e hereditariedade, pois foi o próprio Deus quem nos formou com carinho e com bons propósitos que vão além da nossa compreensão: “Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem”; (Sl 139.13, 14) e "Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança". (Jr 29:11).
Não há mais maldição e nem condenação para os que estão em Cristo (Rm 8:1). “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm 8:31). Tendo em mente a definição bíblica de maldição: separado de Deus, ouçamos o que o apóstolo Paulo ainda tem a dizer em Romanos 8:33 39: "quem intentará acusação contra os eleitos de Deus?... quem os condenará?... quem nos separará do amor de Cristo?... Pois eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas do presente, nem do porvir, nem poderes, nem altura, nem profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor"."Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou pare o Reino do Filho do Seu amor, no qual temos a remissão dos pecados, a redenção" (Co 1:13, 14, ver também Co 2:12 15; 3:1 3 10; Ef 1:3 14, 18 20).Firme-se na Palavra de Deus e não se deixe levar por todo vento de doutrina e não se deixe enganar por aqueles que distorcem as Escrituras com intuito de atrairem discípulos para sí. A ignorância e a superstição escravizam, mas a verdade liberta. (Jo. 8:32). Só como curiosidade: a última palavra do Antigo Testamento é "maldição"; já o primeiro e mais importante sermão do Senhor Jesus Cristo registrado no Novo Testamento inicia-se com o termo: "BEM AVENTURADO"!

Ainda sobre este assunto leia o estudo sobre Batalha Espiritual:

BIBLIOGRAFIA
Gondin, Ricardo O Evangelho da Nova Era Abba Press São Paulo SP 1993
Romeiro, Paulo Super Crentes Mundo Cristão São Paulo SP 1993.Artigo especial da revista "Vos Scripturae 3:2 (setembro de 1993) pág.131 a 150. Artigo de Alan B. Pierrat, intitulado:” O Segredo da Espiritualidade da Prosperidade."
Lucado, Max. "Superando sua hereditariedade" http://www.irmaos.com/maxlucado/?

ORIGEM G12=M12

Movimento G-12: Uma Nova Reforma ou Uma Velha Heresia?
Jôer Corrêa Batista*
Não foi surpresa! Aliás, era até mesmo previsível. Dada a situação em que se encontram os púlpitos e, em conseqüência, o ensino em muitas igrejas evangélicas, era de se esperar que a qualquer hora uma nova onda viesse agitar o mar calmo da negligência pastoral. O surgimento de um novo movimento ou onda denominado G-12 não foi em nada surpreendente. Reunindo várias doutrinas há muito conhecidas dos evangélicos, o G-12 apresenta-se como a proposta eclesiástica do próximo milênio. A julgar pelo conteúdo doutrinário, não há quase nada no G-12 que mereça uma nova análise, posto que já foi abundantemente estudado. O que tem surpreendido é a rapidez e facilidade com que a onda se espalha entre as igrejas, inclusive históricas, e as estratégias psicológicas usadas nos encontros.
A maioria dos participantes desconhece a origem do movimento, bem como suas propostas. Fascinados pelo impacto emocional e o aparente resultado imediato, vêem o G-12 como a esperança de se alcançar a unidade da igreja e uma reforma estrutural. Segundo alguns proponentes, o modelo eclesiástico denominado células é uma Segunda Reforma, nada perdendo em intensidade para a Reforma Protestante do Século XVI.1 O propósito deste artigo é demonstrar que G-12 não traz uma nova reforma, mas sim, velhas doutrinas como teologia da prosperidade, confissão positiva e maldição hereditária, entre outras.
Assim, o que se propõe é verificar a origem e as propostas doutrinárias do movimento, com base em suas próprias afirmações. Não nos dedicaremos aqui a discutir as questões metodológicas dos encontros. Apesar da importância dos mesmos, o foco central tem sido negligenciado nas discussões quando estas giram somente em torno das questões técnicas e psicológicas dos encontros. Este é apenas um componente do complexo movimento G-12.
I. História
Todos os proponentes do modelo G-12 admitem que o movimento teve seu início com a visão recebida por César Castellanos Domínguez.2 Castellanos é pastor da Missão Carismática Internacional, que ele fundou depois de um período de frustração com o seu próprio ministério. Desiludido com os resultados do seu trabalho, ele aplicou o modelo de igrejas em células de Paul Young Choo, alcançando resultados mais satisfatórios. Porém, em 1991, segundo as suas próprias informações, ele recebeu uma visão que iria mudar definitivamente o seu ministério e a sua igreja. Conforme ele relata:
Em 1991, sentimos que se aproximava um maior crescimento, mas algo impedia que o mesmo ocorresse em todas as dimensões. Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze. Deus me tirou o véu. Foi então que tive a clareza do modelo que agora revoluciona o mundo quanto ao conceito mais eficaz para a multiplicação da igreja: os doze. Nesta ocasião, escutei ao Senhor dizendo-me: Vais reproduzir a visão que tenho te dado em doze homens, e estes devem fazê-lo em outros doze, e estes, por sua vez, em outros! Quando Deus me mostrou a projeção de crescimento, maravilhei-me.3
Após ter implantado o modelo, a Missão Carismática Internacional experimentou um surpreendente surto de crescimento. Isto chamou a atenção de líderes no Brasil, os quais, movidos pelo interesse de alcançar crescimento semelhante, implantaram o modelo em suas comunidades e o têm difundido entre as igrejas evangélicas brasileiras.
Dois aspectos precisam ser observados quanto à implantação do movimento no Brasil. Primeiro, a chamada Igreja em Células, como estratégia de crescimento da igreja, não é nova no Brasil, tendo sido aplicada há vários anos. Então, qual seria o fator determinante para o crescimento? Aponta-se como elementos distintivos e, portanto, determinantes, o número exato de doze discípulos e os encontros de três dias.4 Nota-se assim porque tais elementos do modelo são os mais enfatizados. Em segundo lugar, é importante observar que, ao ser implantado no Brasil, tanto o Modelo G-12 como o Encontro foram adaptados, passando por modificações como, por exemplo, o sigilo do Encontro (ou Pacto de Legalidade e Silêncio), que é característica peculiar ao modelo brasileiro.
Os principais proponentes do G-12 no Brasil são Valnice Milhomens e Rene Terra Nova, ambos considerando-se legítimos discípulos de César Castellanos. Valnice afirma ter recebido autoridade por delegação de Castellanos.5 Terra Nova, semelhantemente, diz exercer tal autoridade espiritual por delegação do mesmo Castellanos.6
II. Funcionamento
Apesar das diferenças existentes no movimento, alguns pontos básicos são comuns. O modelo é estruturado a partir de uma dinâmica definida como Escada do Sucesso.7 Em suma, o processo pode ser resumido em quatro etapas:
Evangelização
Consolidação
Treinamento
Envio
A Evangelização acontece nas células, que têm como referencial o número 12. Assim, quando uma célula alcança o número de 24 pessoas em suas reuniões, ela se subdivide. A outra característica é que, a princípio, a célula ocupa o papel de ensino e formação da igreja, restando ao culto comunitário o papel de celebração.
Consolidação é a etapa na qual a fé do indivíduo é alicerçada ou definitivamente assegurada. É nesta etapa do processo que o Encontro é realizado. Desta forma, fica evidente que o propósito do Encontro não é primariamente a evangelização, sendo inclusive recomendado que se certifique a conversão do candidato antes de sua participação.8 Basicamente, o Encontro tem dois objetivos. Primeiro, efetivar a fé do novo convertido, através de libertação e quebra de maldições. Em segundo lugar, conduzir à visão aquele que se converteu por métodos anteriores ao G-12, ou seja, fazer a transição do modelo eclesiástico antigo para o G-12. A isto denominam transicionar ou receber a visão. O Encontro é um retiro de dois dias e de natureza homogênea que ocorre durante um fim de semana, sendo precedido e seguido de quatro reuniões, normalmente semanais (pré e pós-encontro). São nove horas de palestras acompanhadas de extremo rigor disciplinar, inclusive com proibição de intercomunicação, o que provoca uma forte reação emocional e resultados aparentemente surpreendentes.9
O Treinamento é realizado pela escola de líderes de cada igreja. Aqui são preparados os discipuladores que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. A tendência é de cursos breves de baixa qualidade. O objetivo é que cada participante ou seguidor do G-12 alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o Envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem liderança.
Quanto ao funcionamento, é importante observar ainda que o G-12 é um movimento que não propõe a filiação de seus participantes à igreja realizadora do evento. É possível ser um dos doze de algum discipulador e permanecer membro de uma igreja histórica que não tenha se enquadrado no modelo, por exemplo. Dessa forma, o movimento, através de seus Encontros, tem uma penetração mais eficiente no seio das igrejas, e permite aos líderes da região exercer controle sobre membros de outras igrejas sem que eles se desvinculem das mesmas.
III. Interpretação Bíblica, Revelações e Experiências Místicas
O movimento segue as tendências contemporâneas de interpretação,10 mais especificamente a subjetividade e relatividade na interpretação e aplicação dos textos bíblicos. De fato, tanto o Modelo como o Encontro parecem bíblicos, se considerarmos o volume de citações e alusões a textos bíblicos neles contidos.11 Naturalmente, os participantes e proponentes do modelo também afirmam que a sua base teológica é a inerrância das Escrituras, que são aceitas como regra de fé e prática. A diferença está em seus princípios de interpretação.
Três princípios podem ser observados. O primeiro implica na ambigüidade do entendimento dos textos. Em outras palavras, os textos são tratados de forma relativa, podendo adquirir significados múltiplos. Não se trata de um sensus plenior da passagem, mas de diversos sentidos dados a uma mesma passagem, que é entendida, assim, de forma ambígua.12
Por exemplo, em Habacuque 2.2 a palavra visão é entendida de diferentes maneiras, significando ao mesmo tempo a visão recebida pelo profeta Habacuque, visões literais recebidas atualmente pelas pessoas, e visões não-literais, mas que implicam em um desejo ou uma forte convicção, frutos da capacidade de projetar o futuro.13 Estes dois últimos sentidos são usados e justificados pelo texto de Habacuque e outros. Portanto, não é simples entender o que significa adquirir a visão conforme propõe o movimento. Pode significar o entendimento correto da Escritura, bem como desenvolver a capacidade de buscar objetivos ainda não concretizados ou, finalmente, abraçar a visão recebida por César Castellanos.
O Encontro e suas fases não são só para os novos crentes, mas também para líderes que querem implantar a visão de células de multiplicação e de grupos de 12. Para essa visão é necessário uma grande disciplina, disposição e acima de tudo experiência com o Senhor Jesus.14
O segundo princípio pode ser definido como uma espécie de hermenêutica freudiana.15 Mais que alegórica, ela é simbólica. Com base em um subjetivismo extremado, as passagens bíblicas são aplicadas dando-se aos detalhes significados teológicos e práticos, como vemos no Manual do Encontro:
“...Saíram, pois, da cidade e foram ter com ele” (Jo 4.30). É necessário sair para encontrar-se com Jesus... Saímos da cidade para termos um encontro com Ele. Abraão, Moisés, Jesus saíram da cidade. Nós precisamos sair da agitação para nos encontrarmos com Ele.16
Observe-se que, na tentativa de justificar o Encontro, o texto bíblico não foi apenas alegorizado, mas ganhou além de um significado teológico um sentido simbólico que expressa desejo, obediência e até mesmo fé. O Encontro incentiva, portanto, uma utilização simbólica da Escritura e reúne em torno de si um conjunto de ritos, práticas e procedimentos entendidos como bíblicos, mas de natureza mística.
O terceiro princípio é a subjetividade na aplicação, uma espécie de interpretação romântica da Bíblia.17 Por esse princípio, as perspectivas históricas e literárias são abandonadas e o centro da interpretação passa a ser a experiência subjetiva, intimista e mística do intérprete. Por esta via, todos os textos se aplicam a todas as pessoas, sob qualquer aspecto.
Nessa ocasião ouvi a voz de Deus, quando me disse que fosse ao Jordão para me batizar novamente, e inclusive me mostrou quem deveria fazê-lo: um missionário mexicano que logo me compartilhou que, quando sua mãe estava grávida, um profeta orou mostrando: Este menino que vai nascer terá o ministério de João Batista.
Quando saí das águas, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava seu Espírito.18
Essas práticas são comuns no movimento e demonstram uma aplicação da Escritura que cede sua objetividade à subjetividade pessoal e tendenciosa do intérprete. Neste caso, observamos que a Escritura é afastada de sua posição de única regra de fé e prática, e agora tal autoridade é compartilhada com as revelações recebidas pelos proponentes do G-12.
As mesmas regras de interpretação são aplicadas às revelações contemporâneas. A única base do Modelo G-12 é a visão e a revelação dadas a César Castellanos. Daí, tanto a fé como a vida cristã são conduzidas por revelações recebidas pelos líderes. Decisões práticas, como casar-se ou não, são tomadas por meios de visões ou revelações.
Recordo-me de situações tão concretas como a revelação do dia em que ela se converteria à vida cristã e o momento em que depois de pedir outros sinais, o Senhor me disse com voz audível...19
Desde aí tive o convencimento de que realmente Deus lhe falava (a César), que era um homem de fé, a quem o Espírito Santo comunicava as coisas de forma direta... Sempre desejei escutar a voz de Deus, da mesma maneira que meu esposo conseguia...20
Tais decisões são chamadas de decisões transcendentais21 e regem a vida cristã. A natureza mística das mesmas é definida de maneira precisa por César Castellanos: “A Missão Carismática Internacional é uma igreja eminentemente profética. Teria que sê-lo por duas razões: a primeira, seu início foi determinado por uma palavra profética dada diretamente por Deus a este seu servo...”22
Essa subjetividade subjuga a Escritura aos critérios humanos. As pretensiosas visões e revelações diretas determinam a doutrina da igreja e a conduta pessoal. Não há limites para a imaginação humana. Como afirma Valnice: “Deus trabalha com visões; onde não há visão não há obra. Todas as realizações começam com visões.”23
A este arsenal de revelações cotidianas, seguem-se inúmeros casos de experiências inexplicáveis de natureza mística. Ressurreições, arrebatamentos e cerimônias são detalhadamente descritos em obras dos líderes do movimento. Fazem parte do dia-a-dia da fé proposta pelos agenciadores do G-12. Não nos surpreende o dualismo presente nessas revelações, bem como nas suas interpretações. A surpresa advém do fato de que os líderes avocam para si uma credibilidade acima de qualquer crítica. O questionamento de suas experiências é quase sempre descrito como incredulidade e oposição a Deus. Observe-se a avaliação que Valnice faz de uma de suas visões, quando, segundo ela, Deus lhe mostrou duas igrejas, a fiel – Jerusalém – e a infiel – Roma.
Jerusalém representa o lugar onde a Palavra de Deus é integralmente obedecida, sem questionar, e o Espírito é o Senhor Absoluto na Igreja. Roma é o lugar da lógica, da razão, onde a filosofia vai construindo uma estrutura de raciocínio que leva ao questionamento da Palavra de Deus.24
Além de promover a separação entre a fé e a razão, fica evidente que a visão do líder é inquestionável. Em qualquer outra situação essa posição seria classificada como fanatismo.
IV. A Teologia do Modelo G-12
Como já dissemos a teologia do movimento e do encontro não nos trazem muitas novidades em termos de propostas, mas reeditam o conjunto de doutrinas propaladas pelo neopentecostalismo. Duas observações podem ser feitas a título de introdução. Em primeiro lugar, a inconsistência ou incoerência de suas doutrinas sequer é observada pelos seguidores do movimento, o que demonstra mais uma vez a fragilidade das igreja evangélicas. Em segundo lugar, o mérito do G-12 talvez seja ter levado algumas doutrinas do neopentecostalismo às últimas conseqüências.
A. Antropologia
Um bom ponto de partida para a análise do movimento é a sua antropologia. Sob a influência pós-moderna, o homem preconizado pelo G-12 é fruto do que David Herrero chama de espírito romântico,25 como ele mesmo descreve: “O Homem Romântico não é apenas inerentemente bom, mas é também divino. De acordo com a filosofia que permeia a antropologia romântica, entre Deus e o homem há uma identidade básica.”26
Pelas suas afirmações, César Castellanos deixa claro que a sua perspectiva do ser humano é fatalmente comprometida com esse antropocentrismo, se não dos demais, pelo menos de si mesmo. Ele afirma:
Experimentei meu espírito se desprendendo do corpo. Lutei; porém uma força invisível manejava minha alma. De repente, veio à minha mente a prova do mês anterior e recordei-me das palavras “não é hora!” Apropriei-me delas e disse: Senhor não é possível que tu permitas esta morte, não é hora, Tu precisas de mim na terra, dá-me forças para regressar ao meu corpo e poder levantá-lo em teu nome.27
Em outra ocasião o Espírito Santo lhe diz, após ele ter orado entregando a direção da igreja ao próprio Espírito:
E por que tardaste tanto para decidi-lo? Porque até agora tu eras o pastor e Eu teu auxiliar? Tu me dizias Espírito Santo abençoa esta pessoa e esta obra, abençoa o que vou pregar, abençoa a igreja e eu tinha que fazê-lo.28
Maior arrogância encontramos nas afirmações de Valnice: “Tudo que sai da boca de Deus é um decreto, pois emitido por uma autoridade, cuja palavra tem força de lei, seus decretos são acompanhados de seu cumpra-se.”29 Tal ensino é seguido por sua própria experiência pessoal. Ao referir-se à atitude que tomou ao avaliar o horário das 18:00 h como momento de adoração a Maria, ela declara:
Pai, como autoridade espiritual nesta nação, revogo o decreto de Roma e estabeleço um outro decreto...30
O milagre ocorre quando eu libero o poder do Espírito Santo. E então ocorrem milagres, pois as pessoas são transformadas.31
Esta não é uma característica isolada, mas é notada nos vários líderes que aderiram ao movimento,32 demonstrando ser um espírito da época. Contudo, não são apenas aqueles que estão com Deus que parecem gozar desse status. Quanto aos que se opõem ao G-12, afirma-se:
Pode-se dizer que o pastor que não entre nesta dimensão está matando o progresso do evangelho em sua área... Quem não se reproduz está afetando a possibilidade de conversão de milhares de vidas.33
É óbvio que os proponentes afirmam crer na soberania de Deus; contudo, suas propostas são inconsistentes com as doutrinas mais elementares da Escritura, como por exemplo a onipotência de Deus. Por esse caminho, a independência divina fica prejudicada e Deus se torna dependente da vontade humana. Além da relação com Deus, um outro aspecto no qual os líderes do G-12 expressam a sua divinização é quanto aos espíritos malignos. As ações dos espíritos malignos dependem da conduta humana: “Todo pecado é uma quebra de comunhão com Deus. Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios, cada pecado atrai uma maldição.”34 Assim, meus atos têm o poder de liberar (não se sabe bem de onde) demônios que estavam presos (não se sabe por quem ou para quê).
B. Soteriologia
A conseqüência final dessa exaltação humana é a descaracterização da pessoa e obra redentora de Deus e, por contraditório que pareça, a exaltação do homem e de Satanás. A segurança do crente é reduzida ao acaso, ou, na melhor das hipóteses, à sua conduta e autoridade espiritual. O fato de a Escritura nos ensinar que somos guardados por Deus (Sl 121) e que Jesus nos guarda (Jo 17.12) é totalmente negligenciado. Diante da perspectiva de guerra espiritual35 exarada pelos ensinos do G-12, os demônios alcançaram poder e posição de destaque, em algumas ocasiões acima de Deus.
Quando peco, abro uma porta de legalidade para que satanás entre com seu propósito, MATAR, ROUBAR E DESTRUIR... A maldição se infiltra por uma legalidade e abre a porta para que demônios venham sobre a vida da pessoa.36
É importante notar aqui que esta citação refere-se ao Encontro, onde se pressupõe que o participante, também chamado de encontrista, é convertido. Isso significa que Satanás tem poder para entrar na vida daquele que foi salvo por Cristo. Mais do que isso, a conduta pecaminosa é considerada uma obstrução ou impedimento para que Deus abençoe os seus filhos.
Por algum motivo, o modelo G-12 descreve o crente como um ser dividido entre Deus e o diabo. Pertencemos a Deus, mas o diabo exerce domínio sobre nós. O manual ainda afirma: “Para que haja cura interior são necessários dois passos: Romper o domínio de satanás sobre nós e tomar posse do que é nosso por direito.37
Isto nos conduz ao verdadeiro caráter da doutrina do movimento G-12, ou seja, seu dualismo, onde Deus e os demônios contendem em condições de igualdade. Em uma narrativa no mínimo pitoresca, Valnice descreve o projeto “Palácio da Rainha.”38 Em sua argumentação e pretensa interpretação bíblica, ela entende que Paulo não venceu a entidade pagã em Éfeso (Atos 19), mas apenas a enfraqueceu. Contudo, segundo ela, seguindo dados históricos, coube a João derrotar aquela entidade e conquistar Éfeso para Cristo. Esse domínio geográfico de Deus durou 200 anos, sendo depois a cidade conquistada por tal entidade. Ao explicar a razão para esse domínio, ela afirma: “Hoje Éfeso fica na Turquia, um país muçulmano. Há apenas cerca de 500 cristãos nascidos de novo naquele país. O que teria acontecido? Diana reconquistou seu trono.”39
Tomou-o das mãos de quem? Assim a obra redentora de Cristo é maculada pelo G-12, tornada sem efeito, uma vez que somos submetidos a uma salvação que depende de uma libertação posterior e de quebra de pactos e maldições não desfeitos na cruz de Cristo. Essa visão dualista nos dispõe a situações que fogem ao controle de Deus, e vivemos assim sob constante atuação demoníaca em nossas vidas.
Tais afirmações aproximam o G-12 mais do pré-gnosticismo do primeiro século que do cristianismo bíblico. Evidenciam a natureza sincrética do movimento e sua total incapacidade de mostrar a soberana obra redentora de Deus. A salvação é despida de seu caráter gracioso, e tanto ela como a vida cristã dependem dessa aventura humana no mundo espiritual. Tais pessoas não possuem autoridade para falar do evangelho da soberana graça de Deus.
Além de negar a obra redentora de Deus, o ensino do G-12 ainda se opõe à pessoa de Deus. Seus atributos são menosprezados, inclusive sua bondade, amor e justiça. Em um sessão de regressão, o ministrador do Encontro é orientado a conduzir seus encontristas a perdoar aqueles que os fizeram sofrer:
Em cada faixa etária, desde a infância até a vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem de momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus.40
Tal afirmação se baseia na hipótese de alguém estar magoado com Deus. Contudo, ela ignora a natureza santa e justa de Deus, bem como a sua imutabilidade, e acentua o caráter meritório do sofrimento humano.41
C. Eclesiologia
Por se tratar de um movimento que se propõe ser o modelo eclesiástico do próximo milênio, podemos definir este ponto como uma escato-eclesiologia. É notório que a motivação do G-12 é o crescimento vertiginoso da igreja. Isto a transforma em uma instituição ensimesmada, auto-centrada e escrava do pluralismo e pragmatismo religioso. Três pontos podem ser destacados nessa escato-eclesiologia.
Em primeiro lugar, usando os termos do próprio movimento, a igreja do século XXI será sobrenatural. Por sobrenatural entende-se o caráter místico e supersticioso42 dado ao movimento pelo neopentecostalismo. Aguarda-se para o próximo século o surgimento de sinais em abundância e o retorno aos milagres neotestamentários. Conforme as previsões de um líder:
Creio que brevemente seremos revestidos com a unção dos grandes e maravilhosos prodígios do Espírito Santo e nossa sombra curará com a de Pedro, e pela nossa palavra de ordem, mortos ressuscitarão e grandes fenômenos ocorrerão pela fé, em nome de Jesus.43
Além dos sinais miraculosos, espera-se um período de inúmeras revelações rotineiras, vistas como o “mover” de Deus. Isto implica em que no próximo milênio a igreja deverá abandonar seus dogmas, suas doutrinas, visto que será conduzida pelas revelações.
Em segundo lugar, a igreja do século XXI é vista como um cumprimento escatológico. O modelo G-12 se vê como o cumprimento profético. Como esperado, tais profecias não são encontradas nas escrituras, mas provém das revelações recebidas pelos proponentes do movimento. Senão vejamos:
Temos recebido a palavra no sentido de que nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparados para isto é a igreja em células.44
As congregações do tipo paroquial, nas quais não há mais que 200 pessoas, não estarão no modelo, porque cada igreja será de no mínimo cem mil pessoas.45
Além de Castellanos, outros líderes do movimento e seus discípulos têm a mesma visão profética, a mesma expectativa triunfalista para o próximo século:
Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio.46
Como filhos que somos de Deus Todo-Poderoso, seremos conhecidos nos céus como a geração das maiores conquistas e das maiores colheitas para o Reino de Deus. 47
Hoje estamos reformando a eclesiologia... Por isso creio que esse movimento é a complementação da primeira reforma. Creio que ele está varrendo os quatro cantos da terra hoje, numa proporção e numa velocidade muito maior que a reforma protestante do século XVI.48
Fica claro que o movimento se vê como um cumprimento profético, contudo, não das Escrituras, e sim das projeções e previsões feitas pelos seus proponentes.
Em terceiro lugar, a visão eclesiástica do movimento sofreu uma influência empresarial, e por essa razão aproximou-se de conceitos liberais. A divisão da igreja em ministérios administrativos e espirituais assemelha-se à visão liberal de Adolf Harnack acerca da igreja. Ele idealizou a divisão entre ministério religioso e ministério administrativo ou local.49 Castellanos afirma:
A igreja é a empresa mais importante de uma nação, pelo que o mesmo crescimento exigirá que haja dois setores no interior da igreja: um de caráter administrativo e outro relacionado ao ministério pastoral.50
Isto revela mais do que uma proposta teológica: expressa a influência empresarial da estrutura eclesiástica montada por Castellanos. Sua eclesiologia está mais próxima de um marketing de rede que do evangelho. O número 12 é a único elemento nessa estrutura que se relaciona com o evangelho. Mesmo assim, nenhuma parte do relato dos evangelistas nos ensina que os discípulos tiveram por sua vez exatos doze discípulos.
Seguindo uma tendência atual, a administração de Castellanos é centralizadora e sua eclesiologia é personalista. Negando evidências bíblicas, tanto do Novo como do Antigo Testamento (Dt 1; At 15; 1 Tm 1.6-16), Castellanos defende o fim de colegiados e assembléias, e propõe um sistema de governo totalitário e personalista:
A época das assembléias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes na Igreja, já passou na história. Estou convencido de que Deus dá a visão ao pastor e nessa medida é a ele que o Espírito Santo fala, indicando-lhe até onde deve mover-se.51
Conclusão
O G-12 está longe de ser uma reforma, muito menos protestante. Esse movimento não protesta, mas se acomoda e se amalgama à filosofia da época. Surge como proposta inovadora, mas traz consigo doutrinas antigas. De fato, o G-12 e o Encontro tem prestado um tremendo desserviço à igreja evangélica no Brasil.
Finalizando, gostaria de mencionar o que podemos concluir acerca desse movimento. Em primeiro lugar, temos a certeza de que o movimento irá passar, como outras ondas neopentecostais. Todavia, como as demais ondas, é provável que muito de suas doutrinas e práticas permaneça em nosso meio. É necessário discutir o G-12; contudo, a discussão deve ir além das questões metodológicas do Encontro. Com ou sem regressão, o Encontro continuará a ensinar a necessidade de perdoar a Deus e outras coisas questionáveis. Devemos debater de forma mais ampla a presença das teologias neopentecostais e sua influência na vida e fé das igrejas evangélicas.
Em segundo lugar, é importante lembrar que o movimento revela a fragilidade do ensino nas igrejas evangélicas. Um vento de doutrina, com ensinos tão destoantes da Escritura, sequer é notado por membros dessas igrejas. O problema se agrava ao considerarmos que novas ondas nos esperam. Que Deus nos conduza à fidelidade à sua Palavra e à responsabilidade de lutar pela fé evangélica (Judas 3-4).
English Abstract
The article has a descriptive nature, dealing with the origin, purposes and rationale of a new movement in some Latin American evangelical circles, known as G-12 (groups of twelve). Relying on its most effective strategy, a week-end retreat called “Encounter,” the movement has influenced many congregations of several Brazilian denominations. Departing from the fact that the majority of the participants are unaware of the origins, historical development, and theological positions of the founders and promoters of the movement, the article aims to bring these issues to light, resorting to the main works of G-12 leaders. The movement presents itself as a solution to the problem of church growth and the adequacy of the church to the present time. It is presented as an eschatological fulfillment of God’s promises, as the divine project for the next millennium, in fact, as “the church for the next millennium.” The author seeks to demonstrate that the final result is a host of heresies not only contrary to Scripture but inconsistent among themselves, such as the theology of prosperity, positive confession, inner healing, hereditary curses, blessing and curse, etc. The article shows that G-12 is a clear example of contemporary neopentecostal theology and a threat to the central doctrines of the biblical faith.
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* O autor é ministro presbiteriano e professor de Novo Testamento no Seminário Presbiteriano Brasil Central, em Goiânia.
1 Essa afirmação, apesar de já popularizada entre os defensores das igrejas em células e do G-12, foi feita por Robert Lay, representante no Brasil de Touch Ministries, do pastor Ralph Neighbour. De acordo com Lay, a Reforma do Século XVI foi teológica, ao passo que as células representam a reforma estrutural da igreja. Revista Videira I:4 (Goiânia, dezembro 1999).
2 Ver Rene Terra Nova, na apresentação do Manual do Encontro (Manaus: Semente de Vida, 1999) e Valnice Milhomens, Plano Estratégico para a Redenção da Nação (São Paulo: Palavra da Fé, 1999), 11.
3 César Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo (São Paulo: Palavra da Fé, 1999), 59-60.
4 Milhomens, Plano Estratégico, 11.
5 Ibid,12.
6 Terra Nova, apresentação do Manual do Encontro.
7 Ver o site do MIR (Ministério Internacional da Restauração).
8 Manual do Encontro, 34.
9 Para maiores informações, ler apêndice contendo avaliação psicológica do encontro em Jôer Batista, Jocider Batista e Leonardo Saihum, G-12: História e Avaliação (Goiânia: Seminário Presbiteriano Brasil Central, 2000), 88-91.
10 Moisés Silva, “Abordagens Contemporâneas na Interpretação Bíblica,” Fides Reformata IV:2 (Julho-Dezembro 1999), 147.
11 Nas palestras do Manual do Encontro são feitas mais de 600 citações. Ver Batista, Batista e Sahium, G-12: História e Avaliação, 70.
12 Um bom exemplo dessa interpretação ambígua pode ser visto em Gordon D. Fee, Paulo, o Espírito e o Povo de Deus (São Paulo: United Press, 1997), ix.
13 Milhomens, Plano Estratégico,15-18.
14 Manual do Encontro, apresentação. Grifos meus.
15 Michael Bauman, Shrinking Texts: The Danger of Hermeneutics Under Freudian Auspices, JETS 31:3 (Setembro 1988), 293-303.
16 Manual do Encontro, 56.
17 Ver o interessante artigo de David Estrada Herrero, “Romanticism and Christianity,” Chalcedon Report 309 (Abril 1991), 2-10.
18 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 56. Cláudia Castellanos, esposa de César, escreveu alguns capítulos do livro, entre os quais este. Mas é comum no livro ver Castellanos aplicar a si mesmo textos bíblicos históricos. Assim sendo, o chamado de Moisés é também o chamado de Castellanos.
19 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 29. Grifo meu.
20 Ibid., 54. Grifo meu.
21 Ibid., 46.
22 Ibid., 53.
23 Milhomens, Plano Estratégico, 15.
24 Ibid., 8. Grifos meus.
25 Herrero, “Romanticism and Christianity,” 2-10.
26 Ibid., 8.
27 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 24-25. Grifo meu.
28 Ibid. Grifos meus.
29 Milhomens, Plano Estratégico, 45.
30 Ibid., 27. Grifos meus.
31 Ibid., 119. Grifos meus.
32 Por exemplo, os pastores Antônio Lisboa, da Igreja Nova Aliança, e Aluízio Silva, da Igreja Videira. Suas posições podem ser conhecidas nas revistas Convergência e Videira, órgãos de divulgação de suas igrejas e idéias.
33 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 80, 145.
34 Manual do Encontro, 66.
35 O movimento segue a perspectiva da Batalha Espiritual de Peter Wagner, Neuza Itioka, Cindy Jacobs e outros.
36 Manual do Encontro, 46, 49.
37 Manual do Encontro, 94. Grifos meus.
38 O projeto tem à frente Peter Wagner, que irá até a Turquia libertar aquela região de seus espíritos, através de uma operação chamada “Palácio da Rainha.”
39 Milhomens, Plano Estratégico, 31.
40 Manual do Encontro, 98. Grifo meu.
41 Batista, Batista e Sahium, G-12: História e Avaliação, 49.
42 Ver Samuel Vieira, O Império Gnóstico Contra-Ataca (São Paulo: Cultura Cristã, 1999), 94-95.
43 Antônio Lisboa, Convergência 2000, revista da Igreja Nova Aliança em Células, I:1 (1999).
44 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo,146.
45 Ibid.,145.
46 Milhomens, Plano Estratégico, 12.
47 Lisboa, Convergência 2000.
48 Entrevista de Robert Lay à revista Videira, da Igreja Videira, Ano I, Nº 4.
49 Herman Ridderbos, Paul: An Outline of his Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1992), 439.
50 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 146.
51 Ibid.
(retorne à página ÍNDICE de www.solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo)

ORIGEM G12=M12

Movimento G-12: Uma Nova Reforma ou Uma Velha Heresia?
Jôer Corrêa Batista*
Não foi surpresa! Aliás, era até mesmo previsível. Dada a situação em que se encontram os púlpitos e, em conseqüência, o ensino em muitas igrejas evangélicas, era de se esperar que a qualquer hora uma nova onda viesse agitar o mar calmo da negligência pastoral. O surgimento de um novo movimento ou onda denominado G-12 não foi em nada surpreendente. Reunindo várias doutrinas há muito conhecidas dos evangélicos, o G-12 apresenta-se como a proposta eclesiástica do próximo milênio. A julgar pelo conteúdo doutrinário, não há quase nada no G-12 que mereça uma nova análise, posto que já foi abundantemente estudado. O que tem surpreendido é a rapidez e facilidade com que a onda se espalha entre as igrejas, inclusive históricas, e as estratégias psicológicas usadas nos encontros.
A maioria dos participantes desconhece a origem do movimento, bem como suas propostas. Fascinados pelo impacto emocional e o aparente resultado imediato, vêem o G-12 como a esperança de se alcançar a unidade da igreja e uma reforma estrutural. Segundo alguns proponentes, o modelo eclesiástico denominado células é uma Segunda Reforma, nada perdendo em intensidade para a Reforma Protestante do Século XVI.1 O propósito deste artigo é demonstrar que G-12 não traz uma nova reforma, mas sim, velhas doutrinas como teologia da prosperidade, confissão positiva e maldição hereditária, entre outras.
Assim, o que se propõe é verificar a origem e as propostas doutrinárias do movimento, com base em suas próprias afirmações. Não nos dedicaremos aqui a discutir as questões metodológicas dos encontros. Apesar da importância dos mesmos, o foco central tem sido negligenciado nas discussões quando estas giram somente em torno das questões técnicas e psicológicas dos encontros. Este é apenas um componente do complexo movimento G-12.
I. História
Todos os proponentes do modelo G-12 admitem que o movimento teve seu início com a visão recebida por César Castellanos Domínguez.2 Castellanos é pastor da Missão Carismática Internacional, que ele fundou depois de um período de frustração com o seu próprio ministério. Desiludido com os resultados do seu trabalho, ele aplicou o modelo de igrejas em células de Paul Young Choo, alcançando resultados mais satisfatórios. Porém, em 1991, segundo as suas próprias informações, ele recebeu uma visão que iria mudar definitivamente o seu ministério e a sua igreja. Conforme ele relata:
Em 1991, sentimos que se aproximava um maior crescimento, mas algo impedia que o mesmo ocorresse em todas as dimensões. Estando em um dos meus prolongados períodos de oração, pedindo direção de Deus para algumas decisões, clamando por uma estratégia que ajudasse a frutificação das setenta células que tínhamos até então, recebi a extraordinária revelação do modelo dos doze. Deus me tirou o véu. Foi então que tive a clareza do modelo que agora revoluciona o mundo quanto ao conceito mais eficaz para a multiplicação da igreja: os doze. Nesta ocasião, escutei ao Senhor dizendo-me: Vais reproduzir a visão que tenho te dado em doze homens, e estes devem fazê-lo em outros doze, e estes, por sua vez, em outros! Quando Deus me mostrou a projeção de crescimento, maravilhei-me.3
Após ter implantado o modelo, a Missão Carismática Internacional experimentou um surpreendente surto de crescimento. Isto chamou a atenção de líderes no Brasil, os quais, movidos pelo interesse de alcançar crescimento semelhante, implantaram o modelo em suas comunidades e o têm difundido entre as igrejas evangélicas brasileiras.
Dois aspectos precisam ser observados quanto à implantação do movimento no Brasil. Primeiro, a chamada Igreja em Células, como estratégia de crescimento da igreja, não é nova no Brasil, tendo sido aplicada há vários anos. Então, qual seria o fator determinante para o crescimento? Aponta-se como elementos distintivos e, portanto, determinantes, o número exato de doze discípulos e os encontros de três dias.4 Nota-se assim porque tais elementos do modelo são os mais enfatizados. Em segundo lugar, é importante observar que, ao ser implantado no Brasil, tanto o Modelo G-12 como o Encontro foram adaptados, passando por modificações como, por exemplo, o sigilo do Encontro (ou Pacto de Legalidade e Silêncio), que é característica peculiar ao modelo brasileiro.
Os principais proponentes do G-12 no Brasil são Valnice Milhomens e Rene Terra Nova, ambos considerando-se legítimos discípulos de César Castellanos. Valnice afirma ter recebido autoridade por delegação de Castellanos.5 Terra Nova, semelhantemente, diz exercer tal autoridade espiritual por delegação do mesmo Castellanos.6
II. Funcionamento
Apesar das diferenças existentes no movimento, alguns pontos básicos são comuns. O modelo é estruturado a partir de uma dinâmica definida como Escada do Sucesso.7 Em suma, o processo pode ser resumido em quatro etapas:
Evangelização
Consolidação
Treinamento
Envio
A Evangelização acontece nas células, que têm como referencial o número 12. Assim, quando uma célula alcança o número de 24 pessoas em suas reuniões, ela se subdivide. A outra característica é que, a princípio, a célula ocupa o papel de ensino e formação da igreja, restando ao culto comunitário o papel de celebração.
Consolidação é a etapa na qual a fé do indivíduo é alicerçada ou definitivamente assegurada. É nesta etapa do processo que o Encontro é realizado. Desta forma, fica evidente que o propósito do Encontro não é primariamente a evangelização, sendo inclusive recomendado que se certifique a conversão do candidato antes de sua participação.8 Basicamente, o Encontro tem dois objetivos. Primeiro, efetivar a fé do novo convertido, através de libertação e quebra de maldições. Em segundo lugar, conduzir à visão aquele que se converteu por métodos anteriores ao G-12, ou seja, fazer a transição do modelo eclesiástico antigo para o G-12. A isto denominam transicionar ou receber a visão. O Encontro é um retiro de dois dias e de natureza homogênea que ocorre durante um fim de semana, sendo precedido e seguido de quatro reuniões, normalmente semanais (pré e pós-encontro). São nove horas de palestras acompanhadas de extremo rigor disciplinar, inclusive com proibição de intercomunicação, o que provoca uma forte reação emocional e resultados aparentemente surpreendentes.9
O Treinamento é realizado pela escola de líderes de cada igreja. Aqui são preparados os discipuladores que irão dirigir as células e executar o programa de discipulado. A tendência é de cursos breves de baixa qualidade. O objetivo é que cada participante ou seguidor do G-12 alcance os seus 144 discípulos. Por fim, ocorre o Envio, quando os líderes treinados assumem a liderança de grupos em células, sempre de 12 pessoas, as quais estarão em treinamento para assumirem liderança.
Quanto ao funcionamento, é importante observar ainda que o G-12 é um movimento que não propõe a filiação de seus participantes à igreja realizadora do evento. É possível ser um dos doze de algum discipulador e permanecer membro de uma igreja histórica que não tenha se enquadrado no modelo, por exemplo. Dessa forma, o movimento, através de seus Encontros, tem uma penetração mais eficiente no seio das igrejas, e permite aos líderes da região exercer controle sobre membros de outras igrejas sem que eles se desvinculem das mesmas.
III. Interpretação Bíblica, Revelações e Experiências Místicas
O movimento segue as tendências contemporâneas de interpretação,10 mais especificamente a subjetividade e relatividade na interpretação e aplicação dos textos bíblicos. De fato, tanto o Modelo como o Encontro parecem bíblicos, se considerarmos o volume de citações e alusões a textos bíblicos neles contidos.11 Naturalmente, os participantes e proponentes do modelo também afirmam que a sua base teológica é a inerrância das Escrituras, que são aceitas como regra de fé e prática. A diferença está em seus princípios de interpretação.
Três princípios podem ser observados. O primeiro implica na ambigüidade do entendimento dos textos. Em outras palavras, os textos são tratados de forma relativa, podendo adquirir significados múltiplos. Não se trata de um sensus plenior da passagem, mas de diversos sentidos dados a uma mesma passagem, que é entendida, assim, de forma ambígua.12
Por exemplo, em Habacuque 2.2 a palavra visão é entendida de diferentes maneiras, significando ao mesmo tempo a visão recebida pelo profeta Habacuque, visões literais recebidas atualmente pelas pessoas, e visões não-literais, mas que implicam em um desejo ou uma forte convicção, frutos da capacidade de projetar o futuro.13 Estes dois últimos sentidos são usados e justificados pelo texto de Habacuque e outros. Portanto, não é simples entender o que significa adquirir a visão conforme propõe o movimento. Pode significar o entendimento correto da Escritura, bem como desenvolver a capacidade de buscar objetivos ainda não concretizados ou, finalmente, abraçar a visão recebida por César Castellanos.
O Encontro e suas fases não são só para os novos crentes, mas também para líderes que querem implantar a visão de células de multiplicação e de grupos de 12. Para essa visão é necessário uma grande disciplina, disposição e acima de tudo experiência com o Senhor Jesus.14
O segundo princípio pode ser definido como uma espécie de hermenêutica freudiana.15 Mais que alegórica, ela é simbólica. Com base em um subjetivismo extremado, as passagens bíblicas são aplicadas dando-se aos detalhes significados teológicos e práticos, como vemos no Manual do Encontro:
“...Saíram, pois, da cidade e foram ter com ele” (Jo 4.30). É necessário sair para encontrar-se com Jesus... Saímos da cidade para termos um encontro com Ele. Abraão, Moisés, Jesus saíram da cidade. Nós precisamos sair da agitação para nos encontrarmos com Ele.16
Observe-se que, na tentativa de justificar o Encontro, o texto bíblico não foi apenas alegorizado, mas ganhou além de um significado teológico um sentido simbólico que expressa desejo, obediência e até mesmo fé. O Encontro incentiva, portanto, uma utilização simbólica da Escritura e reúne em torno de si um conjunto de ritos, práticas e procedimentos entendidos como bíblicos, mas de natureza mística.
O terceiro princípio é a subjetividade na aplicação, uma espécie de interpretação romântica da Bíblia.17 Por esse princípio, as perspectivas históricas e literárias são abandonadas e o centro da interpretação passa a ser a experiência subjetiva, intimista e mística do intérprete. Por esta via, todos os textos se aplicam a todas as pessoas, sob qualquer aspecto.
Nessa ocasião ouvi a voz de Deus, quando me disse que fosse ao Jordão para me batizar novamente, e inclusive me mostrou quem deveria fazê-lo: um missionário mexicano que logo me compartilhou que, quando sua mãe estava grávida, um profeta orou mostrando: Este menino que vai nascer terá o ministério de João Batista.
Quando saí das águas, senti literalmente no espírito que os céus se abriram e que Deus enviava seu Espírito.18
Essas práticas são comuns no movimento e demonstram uma aplicação da Escritura que cede sua objetividade à subjetividade pessoal e tendenciosa do intérprete. Neste caso, observamos que a Escritura é afastada de sua posição de única regra de fé e prática, e agora tal autoridade é compartilhada com as revelações recebidas pelos proponentes do G-12.
As mesmas regras de interpretação são aplicadas às revelações contemporâneas. A única base do Modelo G-12 é a visão e a revelação dadas a César Castellanos. Daí, tanto a fé como a vida cristã são conduzidas por revelações recebidas pelos líderes. Decisões práticas, como casar-se ou não, são tomadas por meios de visões ou revelações.
Recordo-me de situações tão concretas como a revelação do dia em que ela se converteria à vida cristã e o momento em que depois de pedir outros sinais, o Senhor me disse com voz audível...19
Desde aí tive o convencimento de que realmente Deus lhe falava (a César), que era um homem de fé, a quem o Espírito Santo comunicava as coisas de forma direta... Sempre desejei escutar a voz de Deus, da mesma maneira que meu esposo conseguia...20
Tais decisões são chamadas de decisões transcendentais21 e regem a vida cristã. A natureza mística das mesmas é definida de maneira precisa por César Castellanos: “A Missão Carismática Internacional é uma igreja eminentemente profética. Teria que sê-lo por duas razões: a primeira, seu início foi determinado por uma palavra profética dada diretamente por Deus a este seu servo...”22
Essa subjetividade subjuga a Escritura aos critérios humanos. As pretensiosas visões e revelações diretas determinam a doutrina da igreja e a conduta pessoal. Não há limites para a imaginação humana. Como afirma Valnice: “Deus trabalha com visões; onde não há visão não há obra. Todas as realizações começam com visões.”23
A este arsenal de revelações cotidianas, seguem-se inúmeros casos de experiências inexplicáveis de natureza mística. Ressurreições, arrebatamentos e cerimônias são detalhadamente descritos em obras dos líderes do movimento. Fazem parte do dia-a-dia da fé proposta pelos agenciadores do G-12. Não nos surpreende o dualismo presente nessas revelações, bem como nas suas interpretações. A surpresa advém do fato de que os líderes avocam para si uma credibilidade acima de qualquer crítica. O questionamento de suas experiências é quase sempre descrito como incredulidade e oposição a Deus. Observe-se a avaliação que Valnice faz de uma de suas visões, quando, segundo ela, Deus lhe mostrou duas igrejas, a fiel – Jerusalém – e a infiel – Roma.
Jerusalém representa o lugar onde a Palavra de Deus é integralmente obedecida, sem questionar, e o Espírito é o Senhor Absoluto na Igreja. Roma é o lugar da lógica, da razão, onde a filosofia vai construindo uma estrutura de raciocínio que leva ao questionamento da Palavra de Deus.24
Além de promover a separação entre a fé e a razão, fica evidente que a visão do líder é inquestionável. Em qualquer outra situação essa posição seria classificada como fanatismo.
IV. A Teologia do Modelo G-12
Como já dissemos a teologia do movimento e do encontro não nos trazem muitas novidades em termos de propostas, mas reeditam o conjunto de doutrinas propaladas pelo neopentecostalismo. Duas observações podem ser feitas a título de introdução. Em primeiro lugar, a inconsistência ou incoerência de suas doutrinas sequer é observada pelos seguidores do movimento, o que demonstra mais uma vez a fragilidade das igreja evangélicas. Em segundo lugar, o mérito do G-12 talvez seja ter levado algumas doutrinas do neopentecostalismo às últimas conseqüências.
A. Antropologia
Um bom ponto de partida para a análise do movimento é a sua antropologia. Sob a influência pós-moderna, o homem preconizado pelo G-12 é fruto do que David Herrero chama de espírito romântico,25 como ele mesmo descreve: “O Homem Romântico não é apenas inerentemente bom, mas é também divino. De acordo com a filosofia que permeia a antropologia romântica, entre Deus e o homem há uma identidade básica.”26
Pelas suas afirmações, César Castellanos deixa claro que a sua perspectiva do ser humano é fatalmente comprometida com esse antropocentrismo, se não dos demais, pelo menos de si mesmo. Ele afirma:
Experimentei meu espírito se desprendendo do corpo. Lutei; porém uma força invisível manejava minha alma. De repente, veio à minha mente a prova do mês anterior e recordei-me das palavras “não é hora!” Apropriei-me delas e disse: Senhor não é possível que tu permitas esta morte, não é hora, Tu precisas de mim na terra, dá-me forças para regressar ao meu corpo e poder levantá-lo em teu nome.27
Em outra ocasião o Espírito Santo lhe diz, após ele ter orado entregando a direção da igreja ao próprio Espírito:
E por que tardaste tanto para decidi-lo? Porque até agora tu eras o pastor e Eu teu auxiliar? Tu me dizias Espírito Santo abençoa esta pessoa e esta obra, abençoa o que vou pregar, abençoa a igreja e eu tinha que fazê-lo.28
Maior arrogância encontramos nas afirmações de Valnice: “Tudo que sai da boca de Deus é um decreto, pois emitido por uma autoridade, cuja palavra tem força de lei, seus decretos são acompanhados de seu cumpra-se.”29 Tal ensino é seguido por sua própria experiência pessoal. Ao referir-se à atitude que tomou ao avaliar o horário das 18:00 h como momento de adoração a Maria, ela declara:
Pai, como autoridade espiritual nesta nação, revogo o decreto de Roma e estabeleço um outro decreto...30
O milagre ocorre quando eu libero o poder do Espírito Santo. E então ocorrem milagres, pois as pessoas são transformadas.31
Esta não é uma característica isolada, mas é notada nos vários líderes que aderiram ao movimento,32 demonstrando ser um espírito da época. Contudo, não são apenas aqueles que estão com Deus que parecem gozar desse status. Quanto aos que se opõem ao G-12, afirma-se:
Pode-se dizer que o pastor que não entre nesta dimensão está matando o progresso do evangelho em sua área... Quem não se reproduz está afetando a possibilidade de conversão de milhares de vidas.33
É óbvio que os proponentes afirmam crer na soberania de Deus; contudo, suas propostas são inconsistentes com as doutrinas mais elementares da Escritura, como por exemplo a onipotência de Deus. Por esse caminho, a independência divina fica prejudicada e Deus se torna dependente da vontade humana. Além da relação com Deus, um outro aspecto no qual os líderes do G-12 expressam a sua divinização é quanto aos espíritos malignos. As ações dos espíritos malignos dependem da conduta humana: “Todo pecado é uma quebra de comunhão com Deus. Cada nível de pecado libera uma quantidade de demônios, cada pecado atrai uma maldição.”34 Assim, meus atos têm o poder de liberar (não se sabe bem de onde) demônios que estavam presos (não se sabe por quem ou para quê).
B. Soteriologia
A conseqüência final dessa exaltação humana é a descaracterização da pessoa e obra redentora de Deus e, por contraditório que pareça, a exaltação do homem e de Satanás. A segurança do crente é reduzida ao acaso, ou, na melhor das hipóteses, à sua conduta e autoridade espiritual. O fato de a Escritura nos ensinar que somos guardados por Deus (Sl 121) e que Jesus nos guarda (Jo 17.12) é totalmente negligenciado. Diante da perspectiva de guerra espiritual35 exarada pelos ensinos do G-12, os demônios alcançaram poder e posição de destaque, em algumas ocasiões acima de Deus.
Quando peco, abro uma porta de legalidade para que satanás entre com seu propósito, MATAR, ROUBAR E DESTRUIR... A maldição se infiltra por uma legalidade e abre a porta para que demônios venham sobre a vida da pessoa.36
É importante notar aqui que esta citação refere-se ao Encontro, onde se pressupõe que o participante, também chamado de encontrista, é convertido. Isso significa que Satanás tem poder para entrar na vida daquele que foi salvo por Cristo. Mais do que isso, a conduta pecaminosa é considerada uma obstrução ou impedimento para que Deus abençoe os seus filhos.
Por algum motivo, o modelo G-12 descreve o crente como um ser dividido entre Deus e o diabo. Pertencemos a Deus, mas o diabo exerce domínio sobre nós. O manual ainda afirma: “Para que haja cura interior são necessários dois passos: Romper o domínio de satanás sobre nós e tomar posse do que é nosso por direito.37
Isto nos conduz ao verdadeiro caráter da doutrina do movimento G-12, ou seja, seu dualismo, onde Deus e os demônios contendem em condições de igualdade. Em uma narrativa no mínimo pitoresca, Valnice descreve o projeto “Palácio da Rainha.”38 Em sua argumentação e pretensa interpretação bíblica, ela entende que Paulo não venceu a entidade pagã em Éfeso (Atos 19), mas apenas a enfraqueceu. Contudo, segundo ela, seguindo dados históricos, coube a João derrotar aquela entidade e conquistar Éfeso para Cristo. Esse domínio geográfico de Deus durou 200 anos, sendo depois a cidade conquistada por tal entidade. Ao explicar a razão para esse domínio, ela afirma: “Hoje Éfeso fica na Turquia, um país muçulmano. Há apenas cerca de 500 cristãos nascidos de novo naquele país. O que teria acontecido? Diana reconquistou seu trono.”39
Tomou-o das mãos de quem? Assim a obra redentora de Cristo é maculada pelo G-12, tornada sem efeito, uma vez que somos submetidos a uma salvação que depende de uma libertação posterior e de quebra de pactos e maldições não desfeitos na cruz de Cristo. Essa visão dualista nos dispõe a situações que fogem ao controle de Deus, e vivemos assim sob constante atuação demoníaca em nossas vidas.
Tais afirmações aproximam o G-12 mais do pré-gnosticismo do primeiro século que do cristianismo bíblico. Evidenciam a natureza sincrética do movimento e sua total incapacidade de mostrar a soberana obra redentora de Deus. A salvação é despida de seu caráter gracioso, e tanto ela como a vida cristã dependem dessa aventura humana no mundo espiritual. Tais pessoas não possuem autoridade para falar do evangelho da soberana graça de Deus.
Além de negar a obra redentora de Deus, o ensino do G-12 ainda se opõe à pessoa de Deus. Seus atributos são menosprezados, inclusive sua bondade, amor e justiça. Em um sessão de regressão, o ministrador do Encontro é orientado a conduzir seus encontristas a perdoar aqueles que os fizeram sofrer:
Em cada faixa etária, desde a infância até a vida adulta, o ministrador deverá instruir os encontristas a se lembrarem de momentos difíceis, amargos, traumatizantes, etc. Eles precisam liberar perdão às pessoas envolvidas em cada fase e até mesmo a Deus.40
Tal afirmação se baseia na hipótese de alguém estar magoado com Deus. Contudo, ela ignora a natureza santa e justa de Deus, bem como a sua imutabilidade, e acentua o caráter meritório do sofrimento humano.41
C. Eclesiologia
Por se tratar de um movimento que se propõe ser o modelo eclesiástico do próximo milênio, podemos definir este ponto como uma escato-eclesiologia. É notório que a motivação do G-12 é o crescimento vertiginoso da igreja. Isto a transforma em uma instituição ensimesmada, auto-centrada e escrava do pluralismo e pragmatismo religioso. Três pontos podem ser destacados nessa escato-eclesiologia.
Em primeiro lugar, usando os termos do próprio movimento, a igreja do século XXI será sobrenatural. Por sobrenatural entende-se o caráter místico e supersticioso42 dado ao movimento pelo neopentecostalismo. Aguarda-se para o próximo século o surgimento de sinais em abundância e o retorno aos milagres neotestamentários. Conforme as previsões de um líder:
Creio que brevemente seremos revestidos com a unção dos grandes e maravilhosos prodígios do Espírito Santo e nossa sombra curará com a de Pedro, e pela nossa palavra de ordem, mortos ressuscitarão e grandes fenômenos ocorrerão pela fé, em nome de Jesus.43
Além dos sinais miraculosos, espera-se um período de inúmeras revelações rotineiras, vistas como o “mover” de Deus. Isto implica em que no próximo milênio a igreja deverá abandonar seus dogmas, suas doutrinas, visto que será conduzida pelas revelações.
Em segundo lugar, a igreja do século XXI é vista como um cumprimento escatológico. O modelo G-12 se vê como o cumprimento profético. Como esperado, tais profecias não são encontradas nas escrituras, mas provém das revelações recebidas pelos proponentes do movimento. Senão vejamos:
Temos recebido a palavra no sentido de que nos anos vindouros haverá gente faminta por conhecer a mensagem da salvação; milhões e milhões correrão pelas ruas demonstrando seu desejo de saber de Cristo, e a única estrutura que permitirá estar preparados para isto é a igreja em células.44
As congregações do tipo paroquial, nas quais não há mais que 200 pessoas, não estarão no modelo, porque cada igreja será de no mínimo cem mil pessoas.45
Além de Castellanos, outros líderes do movimento e seus discípulos têm a mesma visão profética, a mesma expectativa triunfalista para o próximo século:
Tendo a convicção de que o modelo de Bogotá era a base para o modelo que Deus tem para nós, temos retornado às convenções para beber da fonte. Cremos que Deus deu ao Pr. César Castellanos o modelo dos doze que há de revolucionar a igreja do próximo milênio.46
Como filhos que somos de Deus Todo-Poderoso, seremos conhecidos nos céus como a geração das maiores conquistas e das maiores colheitas para o Reino de Deus. 47
Hoje estamos reformando a eclesiologia... Por isso creio que esse movimento é a complementação da primeira reforma. Creio que ele está varrendo os quatro cantos da terra hoje, numa proporção e numa velocidade muito maior que a reforma protestante do século XVI.48
Fica claro que o movimento se vê como um cumprimento profético, contudo, não das Escrituras, e sim das projeções e previsões feitas pelos seus proponentes.
Em terceiro lugar, a visão eclesiástica do movimento sofreu uma influência empresarial, e por essa razão aproximou-se de conceitos liberais. A divisão da igreja em ministérios administrativos e espirituais assemelha-se à visão liberal de Adolf Harnack acerca da igreja. Ele idealizou a divisão entre ministério religioso e ministério administrativo ou local.49 Castellanos afirma:
A igreja é a empresa mais importante de uma nação, pelo que o mesmo crescimento exigirá que haja dois setores no interior da igreja: um de caráter administrativo e outro relacionado ao ministério pastoral.50
Isto revela mais do que uma proposta teológica: expressa a influência empresarial da estrutura eclesiástica montada por Castellanos. Sua eclesiologia está mais próxima de um marketing de rede que do evangelho. O número 12 é a único elemento nessa estrutura que se relaciona com o evangelho. Mesmo assim, nenhuma parte do relato dos evangelistas nos ensina que os discípulos tiveram por sua vez exatos doze discípulos.
Seguindo uma tendência atual, a administração de Castellanos é centralizadora e sua eclesiologia é personalista. Negando evidências bíblicas, tanto do Novo como do Antigo Testamento (Dt 1; At 15; 1 Tm 1.6-16), Castellanos defende o fim de colegiados e assembléias, e propõe um sistema de governo totalitário e personalista:
A época das assembléias e dos comitês de anciãos para dar passos importantes na Igreja, já passou na história. Estou convencido de que Deus dá a visão ao pastor e nessa medida é a ele que o Espírito Santo fala, indicando-lhe até onde deve mover-se.51
Conclusão
O G-12 está longe de ser uma reforma, muito menos protestante. Esse movimento não protesta, mas se acomoda e se amalgama à filosofia da época. Surge como proposta inovadora, mas traz consigo doutrinas antigas. De fato, o G-12 e o Encontro tem prestado um tremendo desserviço à igreja evangélica no Brasil.
Finalizando, gostaria de mencionar o que podemos concluir acerca desse movimento. Em primeiro lugar, temos a certeza de que o movimento irá passar, como outras ondas neopentecostais. Todavia, como as demais ondas, é provável que muito de suas doutrinas e práticas permaneça em nosso meio. É necessário discutir o G-12; contudo, a discussão deve ir além das questões metodológicas do Encontro. Com ou sem regressão, o Encontro continuará a ensinar a necessidade de perdoar a Deus e outras coisas questionáveis. Devemos debater de forma mais ampla a presença das teologias neopentecostais e sua influência na vida e fé das igrejas evangélicas.
Em segundo lugar, é importante lembrar que o movimento revela a fragilidade do ensino nas igrejas evangélicas. Um vento de doutrina, com ensinos tão destoantes da Escritura, sequer é notado por membros dessas igrejas. O problema se agrava ao considerarmos que novas ondas nos esperam. Que Deus nos conduza à fidelidade à sua Palavra e à responsabilidade de lutar pela fé evangélica (Judas 3-4).
English Abstract
The article has a descriptive nature, dealing with the origin, purposes and rationale of a new movement in some Latin American evangelical circles, known as G-12 (groups of twelve). Relying on its most effective strategy, a week-end retreat called “Encounter,” the movement has influenced many congregations of several Brazilian denominations. Departing from the fact that the majority of the participants are unaware of the origins, historical development, and theological positions of the founders and promoters of the movement, the article aims to bring these issues to light, resorting to the main works of G-12 leaders. The movement presents itself as a solution to the problem of church growth and the adequacy of the church to the present time. It is presented as an eschatological fulfillment of God’s promises, as the divine project for the next millennium, in fact, as “the church for the next millennium.” The author seeks to demonstrate that the final result is a host of heresies not only contrary to Scripture but inconsistent among themselves, such as the theology of prosperity, positive confession, inner healing, hereditary curses, blessing and curse, etc. The article shows that G-12 is a clear example of contemporary neopentecostal theology and a threat to the central doctrines of the biblical faith.
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* O autor é ministro presbiteriano e professor de Novo Testamento no Seminário Presbiteriano Brasil Central, em Goiânia.
1 Essa afirmação, apesar de já popularizada entre os defensores das igrejas em células e do G-12, foi feita por Robert Lay, representante no Brasil de Touch Ministries, do pastor Ralph Neighbour. De acordo com Lay, a Reforma do Século XVI foi teológica, ao passo que as células representam a reforma estrutural da igreja. Revista Videira I:4 (Goiânia, dezembro 1999).
2 Ver Rene Terra Nova, na apresentação do Manual do Encontro (Manaus: Semente de Vida, 1999) e Valnice Milhomens, Plano Estratégico para a Redenção da Nação (São Paulo: Palavra da Fé, 1999), 11.
3 César Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo (São Paulo: Palavra da Fé, 1999), 59-60.
4 Milhomens, Plano Estratégico, 11.
5 Ibid,12.
6 Terra Nova, apresentação do Manual do Encontro.
7 Ver o site do MIR (Ministério Internacional da Restauração).
8 Manual do Encontro, 34.
9 Para maiores informações, ler apêndice contendo avaliação psicológica do encontro em Jôer Batista, Jocider Batista e Leonardo Saihum, G-12: História e Avaliação (Goiânia: Seminário Presbiteriano Brasil Central, 2000), 88-91.
10 Moisés Silva, “Abordagens Contemporâneas na Interpretação Bíblica,” Fides Reformata IV:2 (Julho-Dezembro 1999), 147.
11 Nas palestras do Manual do Encontro são feitas mais de 600 citações. Ver Batista, Batista e Sahium, G-12: História e Avaliação, 70.
12 Um bom exemplo dessa interpretação ambígua pode ser visto em Gordon D. Fee, Paulo, o Espírito e o Povo de Deus (São Paulo: United Press, 1997), ix.
13 Milhomens, Plano Estratégico,15-18.
14 Manual do Encontro, apresentação. Grifos meus.
15 Michael Bauman, Shrinking Texts: The Danger of Hermeneutics Under Freudian Auspices, JETS 31:3 (Setembro 1988), 293-303.
16 Manual do Encontro, 56.
17 Ver o interessante artigo de David Estrada Herrero, “Romanticism and Christianity,” Chalcedon Report 309 (Abril 1991), 2-10.
18 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 56. Cláudia Castellanos, esposa de César, escreveu alguns capítulos do livro, entre os quais este. Mas é comum no livro ver Castellanos aplicar a si mesmo textos bíblicos históricos. Assim sendo, o chamado de Moisés é também o chamado de Castellanos.
19 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 29. Grifo meu.
20 Ibid., 54. Grifo meu.
21 Ibid., 46.
22 Ibid., 53.
23 Milhomens, Plano Estratégico, 15.
24 Ibid., 8. Grifos meus.
25 Herrero, “Romanticism and Christianity,” 2-10.
26 Ibid., 8.
27 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 24-25. Grifo meu.
28 Ibid. Grifos meus.
29 Milhomens, Plano Estratégico, 45.
30 Ibid., 27. Grifos meus.
31 Ibid., 119. Grifos meus.
32 Por exemplo, os pastores Antônio Lisboa, da Igreja Nova Aliança, e Aluízio Silva, da Igreja Videira. Suas posições podem ser conhecidas nas revistas Convergência e Videira, órgãos de divulgação de suas igrejas e idéias.
33 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 80, 145.
34 Manual do Encontro, 66.
35 O movimento segue a perspectiva da Batalha Espiritual de Peter Wagner, Neuza Itioka, Cindy Jacobs e outros.
36 Manual do Encontro, 46, 49.
37 Manual do Encontro, 94. Grifos meus.
38 O projeto tem à frente Peter Wagner, que irá até a Turquia libertar aquela região de seus espíritos, através de uma operação chamada “Palácio da Rainha.”
39 Milhomens, Plano Estratégico, 31.
40 Manual do Encontro, 98. Grifo meu.
41 Batista, Batista e Sahium, G-12: História e Avaliação, 49.
42 Ver Samuel Vieira, O Império Gnóstico Contra-Ataca (São Paulo: Cultura Cristã, 1999), 94-95.
43 Antônio Lisboa, Convergência 2000, revista da Igreja Nova Aliança em Células, I:1 (1999).
44 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo,146.
45 Ibid.,145.
46 Milhomens, Plano Estratégico, 12.
47 Lisboa, Convergência 2000.
48 Entrevista de Robert Lay à revista Videira, da Igreja Videira, Ano I, Nº 4.
49 Herman Ridderbos, Paul: An Outline of his Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1992), 439.
50 Castellanos Domínguez, Sonha e Ganharás o Mundo, 146.
51 Ibid.
(retorne à página ÍNDICE de www.solascriptura-tt.org/Seitas/Pentecostalismo)

NÃO É UMA OPINIÃO UNICA G12

Doutrinas e práticas preocupantes relacionadas ao G12
Uma palavra de alerta:
Bispo José Ildo Swartele de Mello

Primeiramente, gostaria de ressaltar minha admiração por várias características do sistema G12, tais como: sua ênfase em células ou grupos pequenos para discipulado e evangelização, algo bíblico e wesleyano; seu ensino de que a principal tarefa do pastor consiste no treinamento e formação de novos líderes; sua ênfase no sacerdócio universal de todos os crentes, ressaltando que todos têm a missão de fazer discípulos; seu ardor evangelístico; sua preocupação com a questão da santidade de vida, crescimento espiritual, procurando conduzir o cristão à uma vida de oração mais intensa e profunda. É bom também que se diga que as preocupações alistadas abaixo são de caráter genérico, ou seja, estão geralmente relacionadas ao G12, portanto, não necessariamente se aplicam, na íntegra, a cada uma das igrejas que tem adotado o modelo. Por amor a Cristo e a Sua Igreja, recomendo o exame criterioso de cada um dos pontos de preocupação a fim de que se evitem os erros e sejam aproveitados apenas o que é bom de acordo com os padrões das Santas Escrituras.
César Castelhanos Dominguez, em seu livro “Sonhas e Ganharás o Mundo” (Ed. Palavra da Fé), afirma que o Senhor apareceu a ele, designando-o como um iluminado e enviado especial de Deus para o governo dos 12. Quais seriam as preensões de Castelhanos? O G12 é apenas um método de discipulado e crescimento da igreja ou é “O Método”, é apenas mais um sistema estrutural ou seria bem mais do que isto? Reivindicações desta natureza são preocupantes e precisam ser examinadas com muito cuidado à luz das Escrituras Sagradas. Pois, quantos não foram os falsos profetas e hereges que se levantaram com reivindicações semelhantes no decorrer da história da Igreja? A Bíblia nos ensina a ser cautelosos e criteriosos como os bereanos que examinavam o próprio ensino do Apóstolo Paulo para ver se estavam de acordo com as Escrituras (At 17.10-11). Somos exortados a julgar as profecias (1Co 14.29-33) e a provar os espíritos conforme o ensino de 1 João 4:1 “Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” Em Ap 2.2, Jesus elogia os cristãos que puseram à prova aqueles que reivindicavam autoridade divina e que se diziam ser apóstolos.
Discordamos da ênfase que o G12, no geral, dá a experiência pessoal e mística, em detrimento da Bíblia. Nossas experiências devem ser analisadas à luz da Bíblia e não o contrário (2Tm 3.16-17).
O G12, G3, G100, os "grupos de ECO", entre outros métodos constituem todos modelos humanos, sendo falíveis. E nenhum deles deve reivindicar o status de revelação final ou método perfeito e definitivo. Concordamos com a importância das células ou grupos pequenos para edificação e crescimento da igreja. Mas é bom observar que o livro de Atos dá testemunho de que a igreja primitiva funcionava de modo pendular, no templo e nas casas. Uma igreja “com” células é mais inclusiva e abrangente, fazendo mais jus à diversidade de dons e ministérios que devem existir na igreja, revelando-se, assim, mais vantajosa do que uma igreja “em” células. O metodismo primitivo nos dá um bom exemplo do bom uso do ministério de células, que eram denominadas classes, combinado com uma variedade de outros ministérios, demonstrando que eles não precisam ser excludentes.
Discordamos da ênfase demasiada nos métodos e numa estrutura pragmática que deve de ser seguida à risca, quando sabemos que Deus não unge métodos, mas pessoas. Por que sacramentar, dando tanto valor a um método em particular, quando a Bíblia não enfatiza a questão de métodos? A visão e a missão não são o método, mas sim a mensagem, como bem afirma o “Manifesto de Santidade”: “O zelo e a energia das igrejas têm sido empregados na busca incessante por um método melhor, uma moda passageira, uma visão mais recente e melhor para desencadear o crescimento. Nesse processo para descobrir um método mágico para termos igrejas vibrantes, saudáveis e crescentes, nosso povo tornou-se altamente ineficaz e cativo de um cristianismo genérico que resultou em congregações que não se distinguem da cultura que as circundam. As igrejas precisam de uma mensagem autêntica e clara que substituirá o “santo graal” de métodos como o foco de nossa missão. Nossa mensagem é nossa missão! Além do mais temos sido inundados por líderes que se tornaram prisioneiros de uma mentalidade de sucesso numérico e influência programática. Eles se tornaram tão preocupados sobre “como” eles administram a igreja que negligenciaram um aspecto mais importante de “o que” a igreja declara. Nós inundamos o “mercado” com esforços metodológicos para fazer a igreja crescer. Neste processo, nossos líderes perderam a capacidade de liderar. Eles não conseguem liderar porque não tem nenhuma mensagem autêntica para transmitir, nem uma visão autêntica de Deus, nem uma compreensão transformadora da alteridade de Deus. Eles sabem disto e desejam encontrar o poder centralizador de uma mensagem que faça a diferença. Mais que nunca desejam banhar-se em uma profunda compreensão do chamado de Deus pela santidade - vida transformada. Estão cansados de confiarem em métodos. Querem uma missão. Querem uma mensagem!”
Por que adotar o modelo como um pacote fechado tanto no método tanto quanto no que diz respeito ao material, o que inclui revistas de estudos com doutrinárias bastante questionáveis? Por que não fazer como exorta o Apóstolo “Examinai tudo; retende o que é bom?” Não é papel de um bom líder tentar reproduzir na íntegra um determinado método ou modelo. Até os animais são capazes de reproduzir modelos por mimetismo, mas só um verdadeiro líder é capaz de avaliar todas as coisas, discernir e contextualizar.
Nenhuma espécie de método deve ser adotado pela igreja por imposição do pastor. Devemos tomar muito cuidado para não produzir divisão, amargura e prejuízo à paz no Corpo de Cristo. Se for de Deus, a visão não só será do Pastor, mas há de ser comunicada à igreja como comunidade do povo de Deus.
Forma centralizadora de poder. Não podemos nos esquecer dos princípios bíblicos sustentados pela Reforma a respeito do sacerdócio universal dos crentes, de livre exame da Bíblia e, portanto, de livre acesso a Deus, por meio de Jesus Cristo. Por esta razão, questionamos a forma piramidal e não democrática de poder, o que favorece o autoritarismo, o que vai contra o espírito democrático de nossa denominação e contra o Livro de Disciplina que estabelece a participação da Assembléia para eleição periódica da diretoria da igreja. Não cabe ao pastor escolher os seus doze, que lideraram com ele, mas sim à Assembléia da Igreja com a participação democrática de cada membro. Também não reconhecemos aqueles que se denominam apóstolos, querendo com isto dizer que estão mais próximos de Deus do que os "meros" crentes, sejam eles pastores ou leigos, alegando possuírem também a mesma autoridade dos apóstolos do Novo Testamento. Lutero e os reformadores lutaram tanto contra os conceitos relativos a figura e ministério do Papa, e, para nossa surpresa, vemos a mesma idéia ressurgindo no seio Evangélico. O mundo dá voltas e a história se repete. Também questionamos a necessidade de estar debaixo da cobertura espiritual de alguém que pertence à outra denominação. Se o movimento é bíblico, por que parece que alguns estão se assenhoreando dele? Por que se denominam apóstolos? E por que estabeleceram um modelo piramidal, quase papal, com centralização de poder? Não existe aí o estabelecimento das bases para o surgimento de uma nova denominação? Para reforçar ainda mais este argumento contra este modelo autoritário do G12, vemos também o registro no Livro de Atos, que os 7 (e não 12) Diáconos não foram escolhidos pelo pastor ou pelos apóstolos, mas foram eleitos por toda a comunidade (At 6.5)!
Sacralização do número 12, como se fora paradigma para o novo modelo de grupos. Quanto ao número 12, por exemplo, não há registro bíblico de que cada apóstolo tenha preparado doze discípulos, e estimulado estes a discipular mais doze. Nem há registro de as igrejas dos primeiros séculos da história cristã haverem criado grupos de 12 pessoas. O Livro de Atos registra que o número de Diáconos eleitos eram 7 e não 12 (At 6.5). Os diáconos foram escolhidos pelo pastor ou pelos apóstolos, mas foram eleitos por toda a comunidade!
O crescimento numérico não deve ser encarado como único critério para avaliação de uma igreja abençoada por Deus. É muito importante examinar também se as doutrinas e as práticas estão de acordo com os ensinos bíblicos.
Participação (no Encontro) como fonte única de autoridade crítica. A supervalorização do “encontro” para um Peniel (face a face com Deus) acaba menosprezando as experiências anteriores. A Bíblia não fala de Peniel como o único modelo de encontro com Deus. Há uma diversidade de formas e nenhuma delas deve exercer a primazia.
Emoção humana, como evidência incontestável da presença do Espírito Santo.
Evidências de manipulação psicológica e espiritual, especialmente, no Encontro, que é parte essencial do Movimento G12, não restando aos dele participantes as condições e o tempo necessários à reflexão crítica, à atitude bereana.
Teologia da Prosperidade ;
Quebra de MALDIÇÃO HEREDITÁRIA para crentes
Práticas de regressão psicológica;
Ensino e prática da chamada "nova unção";
Misticismo: “Baseando-se em visões” (Cl 2) - Assim como os gnósticos, não estão jogando o cristianismo fora, mas estão acrescentando uma “nova espiritualidade”: “Nova unção”. Uma espiritualidade que vai além de Cristo. Superespiritualidade, elitismo espiritual em busca de status.
Prática do sopro espiritual;
Ensino do batismo do Espírito Santo tendo línguas como evidência; Veja os estudos sobre dons espirituais clicando nos links de estudo abaixo relacionados.
Prática do segredo. Tal prática não tem apoio bíblico e parece ter sido inspirada em sociedades secretas.
Urros e palavras de ordem nos cultos (Reivindicação, restituição...).
Rejeitamos práticas judaizantes ou israelismos, que parecem confundir o povo de Deus com o Estado de Israel. Por que fazer uso da bandeira de Israel em detrimento de outras bandeiras se Jesus é o Rei de todas as Nações e não faz acepção de pessoas? Por que usar outros símbolos de Israel e promover a celebração de festas e datas especiais judaicas como que num retorno a religião do Antigo Testamento se estamos no Novo Testamento onde Cristo é a plenitude e o centro de nossa vida?
Ensinos sobre Batalha Espiritual e Espíritos Territoriais que fogem ao padrão bíblico.